Wednesday, December 2, 2009

Stand by...

Minha gente, não tenho escrito...mas um dia novamente voltarei com muita coisa...está tudo em processo de ser cozinhado. Como eu falei no texto das muralhas, estou em processo de construção interior, ou melhor, reconstrução. Deus está a me moldar como eu nunca pensei que viesse a acontecer. Muitos conceitos (e suas implicações óbvias na vida diária) sobre mim, sobre Deus e sobre outros quantos assuntos...um processo complexo e doloroso.



Mas como eu costumo dizer: "Deus não é um mágico, é um construtor". Não acontece da noite para o dia. Apesar de toda a dor que tenho vivido, tem sido lindo ver a manifestação da graça de Deus na minha mETamOrFOse.



Deixo-vos no entanto dois versículos que me têm acompanhado neste processo...Um dia escrevo todos os que me têm dado a mão durante esta jornada.



"Por isso, não abram mão da confiança que têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve "Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele". Nós, porém não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêm e são salvos." Hb 10.35-39



"Estou convencido de que aquele que começou a boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus." Fp 1.6

Tuesday, July 21, 2009

PROVAÇÃO, FRUSTRAÇÃO E DESERTO

Aqui deixo mais um texto sobre deserto que encontrei, muito bom:


"Provação, Frustração e Deserto:

São experiências comuns em nossa vida cristã. Como compreendê-las e vencê-las?
Nesses momentos costumamos ser derrotados e frustrados, ainda mais quando vemos a Bíblia ordenando-nos alegrias nestas horas (Tg 1:2, I Pe 1:6, I Pe 4:12-13).
O que é provação e tentação? Provação e tentação são a mesma coisa? Há diferenças? Porque em algumas Bíblias aparece a palavra tentação, e em outras o mesmo texto apresenta a palavra provação?
Na Bíblia a palavra traduzida como tentação ou provação é a mesma: “peraismos”.
Quer dizer teste, prova.
Há vários tipos de provas (I Pe 1:6) a que podemos ser submetidos: perseguições, doenças, problemas sérios, oposição desencadeada por Satanás, aparente distância de Deus, etc...
Todos estes tipos de testes são “provações”.
Há um tipo especial de provação, que é aquela desencadeada por Satanás, visando nossa derrota e valendo-se de uma cobiça interior nossa para acenar-nos com algo que tenta induzir-nos ao pecado. Esta prova é uma “tentação”. Este tipo maligno de “peraismos” Deus não faz. É o que diz Tiago 1:13-15.
A diferença entre tentação e provação é mais didática do que prática, pois freqüentemente se confundem. Toda tentação é uma provação e toda provação pode vir a ser uma tentação. Basta para isso que Satanás nos induza ao pecado, em meio à provação. Vide o exemplo de Jó, que sendo provado foi tentado, Jó 2:9.
A aparente distancia de Deus, também é às vezes um teste, visando provar nossa fé em suas promessas constantes. Este teste é o que chamamos “deserto espiritual”, sensação de vazio.

QUAIS AS CAUSAS DE NOSSAS PROVAÇÕES?

1° O mundo: Depois do pecado este mundo foi condenado a cardos e abrolhos, tristeza, dor, morte, aflição, desamor, ódio, egoísmo e toda sorte de males. O mundo está preso a isto até o dia de sua transformação (Rm 8:19-22). Mesmo nós, crentes e salvos, enquanto vivermos neste corpo e neste mundo estamos sujeitos a estes sofrimentos, Rm 8:23.
As aflições são marcas deste mundo. (Jo 16:33), e Deus não pode fornecer agora um mundo perfeito a todos nós imperfeitos. (Ex.: Dois jovens crentes amam a mesma moça, e oram a Deus, cada um pedindo que Deus lha dê, livrando-o da aflição de esperar por ele. Como Deus solucionará isto?).
Sofrimentos inerentes ao mundo imperfeito, com homens imperfeitos: doenças, intrigas, dificuldades financeiras, guerras, catástrofes, etc, também os crentes passam porque estão neste mundo.
2° Satanás: Ele é o príncipe deste mundo, e tenta afastar o homem de Deus principalmente os salvos. Assim, além de seu grau de ódio normal contra o homem, há uma oposição mais ferrenha contra nós. Ele produz toda sorte de tentações que possamos imaginar (I Pe 5:8, II Tm 3:12, Lc 22:31).
3° A permissão e o controle de Deus: O que diferencia o filho de Deus, salvo, do ímpio é que os sofrimentos inerentes a este mundo, e os ataques de Satanás, só são feitos sob a permissão e o controle de Deus, chegando somente ao ponto máximo de nossa resistência, sem ultrapassá-la. Além disto Deus nos fornece nesta hora poder para escape, servindo-nos tudo isto como teste de fé, I Co 10:13. Deus é fiel! A nossa garantia e descanso nas horas de sofrimento e provação, é fidelidade de um Deus eterno, amoroso, e que não mente Hb 6:18. Basta a você, a garantia da Palavra de Deus? Você confia na sua fidelidade? II Tm 2:13.
Porque Deus permite as provações? Quais são seus objetivos?
1. Qualificar nossa fé - I Pe 1-7 como o ouro é provado valioso pelo fogo, e ao mesmo tempo é purificado de impurezas.Tal sucede com nossa fé. A provação é o fogo (mesmo que seja aceso por Satanás).
2. Multiplicar nossa fé - Como um músculo é exercitado com pesos e esforços para crescer, assim a fé, para que não se atrofie precisa ser exercitada com “pesos”. “O justo vive pela fé” - quanto mais fé, mais vida. Quanto mais provação mais fé e mais vida.
3. Produzir virtudes em nós - Tg 1:3 e 4, Rm 5:3 e 4.
4. Recompensar-nos no fim de tudo - Tg 1:12, I Pe 1:7, I Pe 1:13 e 14, I Pe 5:10, Rm 8:18, II Co 4:17.
5. Torna-nos íntegros - Tg 1:4, integridade é mais valioso do que inocência. Integridade é manter-se reto diante de provas.
6. Revelar atributos - Há atributos de Deus que só conheceremos nas provações. Amor, perdão, poder...
7. Corrigir-nos e disciplinar-nos - Hb 12:4-8.
8. Glorificar o Seu Nome - Jo 9:3 e 11:4
9. Conduzir-nos a Ele, buscando-O nas horas difíceis (Sl 34:6, Sl 119:71).

O QUE É DESERTO?

Porque algumas vezes nos sentimos vazios: Frios, Deus parece que não nos ouve?
Deus está conosco, Jesus prometeu estar conosco todos os dias até a consumação do século, o Espírito Santo faz morada em nós. Portanto a Trindade está sempre conosco. No entanto eu posso sentir isto ou não. Posso ver isto ou não. Quando eu não sinto ou não vejo Deus comigo (Deserto), me vem uma sensação de vazio e frieza espiritual. Mas Deus não quer isto, Ele quer que pela fé (Hb 11:1) eu cria que Ele está comigo, e haja abundância de vida mesmo no deserto (Sl 84:6) Jó 35:14.
Deserto é dificuldade de ver e sentir Deus presente, embora Ele sempre esteja (Sl 34:18).
Há 3 causas diferente de Deserto:
Deus nos faz passar por momentos assim:
I. Se Deus quer trabalhar em nossa fé, e fé é ter convicção de fatos que não se vêem, muitas vezes Deus permite que não o sintamos presente para lançarmos mão de fé.“Ele está aqui, embora não o sinta”.Exemplo: Ex 14; 15:22,27; 16:12; 17:1, Dt 8:15 e 16, Mt 4:1, Sl 23:2-4, Jr 17:7 e 8, Mt 14:22-25.
II. Pecados ou voluntários afastamentos de Deus. Este tipo de deserto não é propriamente uma provação mas conseqüência de derrota espiritual.O pecado afasta-os de Deus, e o abandona da oração e da leitura da Bíblia, nos traz também frieza espiritual. II Sm 11; 12:6; Sl 51:11.
III. Peculiar característica física ou temperamental. I Rs 19:4. Elias era homem de Deus e muito abençoado. Não fora Deus quem o conduzira ao deserto, e nem pecado, mas um problema, uma ameaça o fez entrar em depressão.Elias era um Melancólico. Todos temos um pouco do temperamento melancólico, mas há pessoas marcadamente melancólicas, que constantemente estão em desertos.Os melancólicos são introvertidos, escrupulosos, meticulosos, exigentes, pensadores, auto depreciadores.Para mudar seu temperamento leia: Temperamento controlado pelo Espírito e Temperamento transformado pelo Espírito.

COMO AGIR NOS DESERTOS

1) Usar a fé e não sentidos II Co 5:7, crer que Deus está ali mesmo que não o veja ou o sinta.
2) Manter vida devocional, mesmo que não haja “o calor da sua presença”.
3) Preservar enquanto durar o deserto.O de Jesus durou 40 dias.O dos Judeus 40 anos.O seu durará enquanto você necessitar.
4) Se houver pecado, confesse-o.
5) Se estiver doente vá ao médico.
6) Deixe o Espírito mudar seu temperamento, se for este o seu caso.

COMO AGIR NAS PROVAÇÕES DE MANEIRA GERAL?

1) Confiar nas promessas.I Co 1:13, I Pe 1:5, I Pe 4:10, Mt 26:20.
2) Perseverar ao lado do Senhor, descansando - I Pe 5:7.
3) Opondo-se e resistindo ao diabo e às tentações.I Pe 5:8 e 9, Tg 4:8.
4) Alegrar-se nas bênçãos provenientes das provações I Pe 1:6."


Fonte: Igreja Presbiteriana (Betânia).

Friday, July 10, 2009

O Deserto na Vida Espiritual

Trago mais um texto sobre deserto. Espero que possa te abençoar como me abençoou!



"Podemos entender o Deserto em dois aspectos: como uma realidade física, buscada pelo homem ou como uma realidade espiritual que toca toda a vida do homem, ao qual Deus parece atrair-nos constantemente para uma forte experiência.

Nós nos deteremos neste segundo Deserto, nesta segunda experiência que envolve um chamado de Deus a mergulhar na obra de solidão e luta tão característica de uma autêntica experiência de Deserto.

O deserto é uma obra de Deus, para onde Ele dirige os seus eleitos: Ose 2, 16.

Podemos cair na tentação de querer entender esta rica experiência de Deus como uma punição divina, o que não corresponde a realidade, pois se Deus atrai os seus para o deserto é por desejar que mergulhem em sua intimidade. É sinal do "Amor Terrível" de Deus (Carlos Carreto) que atrai para que o homem possa exclamar : "Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te meus olhos…", como o justo Jó (Jó 42, 5).

Os grandes homens de Deus nas escrituras experimentaram desta obra em suas vidas, uma obra de purificação e aproximação com Deus.


  1. O DESERTO COMO SITUAÇÃO DE VIDA

1.1 A Obra do Deserto: O deserto encerra sempre uma obra de desinstalação, uma obra de "despojamento total de si" e encontro com a Verdade… Podemos chamar esta obra de "kenwsis" (kénosis), ou seja, um quebrantamento radical de si mesmo. Esta obra é descrita na carta aos Filipenses 2, 5__11. No texto bíblico o Apóstolo fala do mistério da encarnação: Cristo modelo de humildade sendo de "condição divina" (morfh qeou), não considerou o ser "igual a Deus" como algo a apegar-se (arpagmo), mas despoja-se (ekenwse)…

Kénosis é um despojamento pleno, ontológico e profundo. Esta palavra grega evoca uma ação de violência. A Obra do deserto é de violência, um chamado a lutar. O ambiente hostil do deserto pode muito refletir a ação de Deus. Apenas os corajosos devem entrar no deserto. O próprio Jesus dá o testemunho sobre os homens que serão encontrados no deserto ao falar de João Batista (Mt 11, 7__14). Não são os de roupas finas ou caniços agitados pelo vento, mas os violentos. Devemos aspirar pelo deserto com todas as nossas forças, pois lá mergulhamos no coração de Deus e na misericórdia Divina, mas sem esquecer que esta é uma obra que exige um esforço. Deus não atrai crianças para o deserto, mas homens que possam lutar, e nos atrai para que despertemos do orgulho e saiamos das garras do pecado, é uma obra sempre próxima à crise.

1.2 O Deserto Para o Povo de Deus:

O Povo de Deus viveu momentos maravilhosos no deserto, mesmo consciente que este sempre representou uma luta. Na meditação do Povo de Deus sobre a sua experiência ao ser atraído ao deserto, ele descobriu as maravilhas escondidas no ríspido ambiente hostil, que se refletem muito bem na meditação dos profetas e demais escritores do Antigo Testamento. Entre os muitos temas encontramos de maneira especial:

No deserto se afirma mais claramente para o Povo a unicidade de Deus. É no deserto que o Povo eleito compreende melhor a grandiosidade de Iahweh. No deserto o Povo eleito na encontra referências diversas para expressar a sua segurança como fará ao entrar na Terra Prometida depositando sobre ídolos a sua esperança de segurança. Só Deus é a realidade que pode libertar no deserto, uma realidade imutável. Ao estabelecer-se na Terra (sair do deserto), Israel confunde as várias forças com divindades, enquanto ele encontrava-se preso à desolação mergulhava muito mais no único Poderoso…

É o tempo da fidelidade! A diferença entre o pecado do Povo no deserto e na terra prometida é fundamentalmente diferente: no primeiro caso está uma não aceitação do Senhorio de Iahweh e no segundo um recurso a outros deuses. No deserto o Povo rebela-se muitas vezes contra o abandono que exige o deserto desejando ser Senhor da sua própria vida, mas sempre consciente de Grande é o Senhor que o tirou do Egito. Na terra este mesmo Povo perde-se em busca de outros deuses esquecendo-se de Iahweh.

O deserto é ainda associado ao inimigo que haveria de tombar dentro de uma primitiva cosmologia. Sinal assim do transitório e do poder de Iahweh que deveria triunfar sobre tudo. Ao contemplar a desolação própria do deserto a religião primitiva o associava às forças contrárias à vida que vinha de Iahweh, logo Iahweh demonstrava seu poder transformando em oásis o deserto…

Refletindo sobre o deserto o Povo compreende que Deus o conduz para provar, mas que ele fora protegido e guardado refletindo assim um tempo de graça… (cf. Deut 8). Este foi a maior descoberta do Povo de eus, que o fez enxergar no deserto a mão misericordiosa do Senhor, este mesmo sentimento foi transferido para o Exílio muitas vezes associado ao deserto (cf. Dn 3).

1.3 O Combate no Deserto

a) O Combate de Jacó

Quem era Jacó? "O Filho de Isaac tem um nome que, segundo a etimologia popular hebraica (Gen 27, 36), é autêntico oráculo: ‘o Suplantador’…" (Estevão Bettencourt - Para entender o Antigo Testamento 158-161)

Jacó aplica sucessivos golpes que lhe concedem o direito de primogenitura e as bênçãos que deveriam pertencer ao seu irmão Esaú… Porém mesmo depois de conquistar o que tanto almejava com seus golpes percebe que está em sério perigo e foge para abrigar no deserto com medo de seu irmão. Lá tem o seu sonho onde Deus se mostra como aquele que cuida dele (Gen 28, 16__22).

Após enriquecer com mais golpes e ter a mulher que ama, Jacó resolve voltar, meio obrigado por causa de seus golpes, e sabe da notícia que seu irmão vem ao seu encontro com 400 homens. Isto é suficiente para levá-lo ao desespero e ele procura anda sustentar-se com mais golpes.

Desolado ele busca a solidão, um deserto interior profundo. Dessa forma Ele luta com Deus (Gen 32, 23__33).

O sentido do deserto de Jacó - uma luta onde sua vitória está em submeter-se e reconhecer que só com Deus ele pode vencer… Deus nos conduz para o deserto para que possamos combater.

Testemunho de Antão: "Antão atravessa uma provação de obscuridade, durante a qual tem a impressão de ser abandonado por Deus aos poderes demoníacos; não obstante persevera, porém na fé mais nua e pura. Terminada a provação, uma visão luminosa do céu vem consolá-lo. Então não consegue deixar de expressar esta queixa: Onde estavas? Porque não te manifestaste desde o princípio para fazer cessares meus sofrimentos? Mas a voz lhe respondeu: Eu estava aí Antão; eu esperava para ver-te combater" (Vida de Antão - Sto Atanásio)


Como deve ser o nosso combate no deserto?

Devemos lutar como Davi ao enfrentar o gigante Golias… 1Sam 17. Davi se apresenta ao Rei Saul e manifesta o seu zelo contra o Filisteu que insultou a Glória de Iahweh. Sua confiança está fincada n’Aquele que deu força a sua destra para derrota o leão e o urso e arrancar a ovelha de sua goela. Quando o rei lhe oferece a vestimenta de combate Davi reconhece a sua situação e sabe do seu nada. Ele não parte para enfrentar o gigante com a aparência do que não é, mas reconhecendo o que de fato é e confiando no poder de Deus.

História fictícia do intervalo entre o combate e a entrevista com Saul Þ Davi á beira do lago recolhendo as pedras.

Ao vê-lo Golias zomba e Davi lança o seu grande grito: " Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, venho a ti em nome de Iahweh dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel que desafiaste. Hoje mesmo Iahweh te entregará na minha mão, eu te derrubarei e te deceparei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres dos exército filisteu ás aves do céu e aos animais selvagens. Toda a terra saberá que há um Deus em Israel, e toda esta assembléia conhecerá que não é pela espada nem pela lança que Iahweh concede a vitória, porque Iahweh é o Senhor da batalha e ele vos entregará nas nossas mãos". (1Sam 17, 45__47).

b) O Exílio da Babilônia: Um deserto de purificação.

O que foi o exílio para o Povo de Israel?

A queda humilhante: "Embora Jerusalém resistisse com tenacidade heróica até o verão seguinte, o seu destino estava traçado. Sedecias queria capitular mas temia fazê-lo. Em julho de 587, exatamente quando as reservas de alimento da cidade terminavam os babilônios abriram brechas através das muralhas e se lançaram dentro da cidade. Com alguns de seus soldados, Sedecias fugiu de noite para o Jordão, sem dúvida esperando estar seguro, pelo menos temporariamente, em Amon. Mas foi levado para perto de Jericó e conduzido diante de Nabucodonosor, em seu quartel-general de Rebla, no centro da Síria. Não tiveram compaixão dele. Depois de fazê-lo testemunhar a execução de seus filhos, cegaram-no e o levaram acorrentado à Babilônia, onde ele morreu.

Um mês mais tarde, Nabuzaradan, comandante da guarda de Nabucodonosor, chegou a Jerusalém e, cumprindo ordens, pôs fogo à cidade e derrubou suas muralhas. Alguns dos oficiais eclesiásticos, militares e civis e alguns cidadãos eminentes foram conduzidos diante de Nabucodonosor, em Rebla, sendo ali executados, enquanto outro grupo da população era deportado para a Babilônia. O Estado de Judá acabara para sempre…" (J. Bright - História de Israel 445__446).

Este texto reflete a dureza da queda para o Povo de Israel, podemos ainda mergulhar muito mais na ferida do Povo ao lermos o livro das Lamentações. Esta humilhação foi necessária devido ao pecado do povo que há muito deixara de ter um relacionamento profundo com o seu Senhor confiando unicamente na sua condição de Povo eleito. A noção dominante estava muito bem descrita pelo ditado que Jeremias e Ezequiel condenam: "Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos apodreceram…" Isto nada mais era do que uma negação do pecado de cada homem. O Exílio foi a parte mais sofrida para história de Israel, porém é também a mais bela e mais frutuosa. A própria Escritura conhece parte de sua forma com o Exílio. Para bem entendermos o que foi o Exílio e seu efeito no coração do Povo tomemos a ação de Jeremias, Ezequiel e do 2o Isaias, com estes livros podemos compreender ainda melhor a riqueza do deserto como experiência de intimidade com Deus mergulhando na nossa realidade de pecador.

a) A ação de Jeremias não adianta confiar nas promessas.

b) O carro Divino de Ezequiel Deus abandona o Templo e acompanha o Povo.

A mensagem de esperança de Jeremias e Ezequiel: A Nova Aliança (Jer 31, 29__40; Eze 36,22__32). Perspectiva individual.

c) A Ação do 2o Isaias (40__55) "O Livro da Consolação".

O início do livro em 40, 1__3 e o seu final com 55.

A alegria do retorno: Salmos de júbilo 126 e Isa 51, 11.


2. O DESERTO COMO TERRENO BUSCADO

2.1 O Deserto na Tradição da Igreja:

Os primeiros Padres do deserto: frutos da mudança de mentalidade provocada pelo Edito de Milão.

Perspectiva escatológica iminente e o desejo de romper com o mundo: Este texto da igreja primitiva reflete muito bem a mentalidade que assolava o mundo cristão de então:

"Um bispo, homem piedoso e modesto, mas que tinha excessiva confiança em suas visões, tivera três sonho e se pôs a profetizar: ‘Sabei, meus irmãos, que o juízo final ocorrerá em um ano. Se o que vos digo não acontecer, não creiais mais nas escrituras e agi como vos aprouver’. Ao cabo de um ano, nada aconteceu, ele ficou confuso, os irmãos escandalizados, as virgens se casaram e os que tinham vendido todo os seus bens foram reduzidos à mendicância". (Padre do Deserto - Jacques Lacarrière. Texto citado de S. Hipólito, bispo de Roma. III séc.).

O impacto que gerou a obra de santo Atanásio: Vida de Antão. Forte influência dos escritos de S. Pacômio, grande organizador da vida cenobítica. S. Jerônimo escreve Vida de Paulo de Tebas e Vida de Malco, monge escravo difundindo o ideal monástico. Grandes nomes se destacam neste período: Gregório Nisseno, Gregório Nazianzeno, Basílio, Agostinho, Jerônimo, Atanásio, etc…

O ideal monástico era baseado na busca do deserto como sinal da luta e do abandono de todas as coisas. Neste período o deserto assume também forte caráter de transitoriedade, os homens que vão ao deserto continuam a participar ativamente da igreja e ajuntam muitos ao seu redor. O que ocorria mesmo com dendritas e estilitas…

Bento organiza uma regra muito simples e de grande precisão o que concede grande impulso às comunidades monacais de seu tempo. O ideal monástico dilata-se ainda mais com o pontificado de Gregório Magno, de origem beneditina, ele prestigia e difunde os mosteiros beneditinos por toda a Igreja. Na idade média o mosteiro de Cluny engrandece anda mais o ideal monástico com as reformas dos Cartuxos e Trapistas. Destaca-se por este período S. Bernardo de Claraval… Após um período mais afastado o tema do deserto retorna em nosso tempo com o forte impulso dos estudos do cristianismo primitivo (patrística) e o reflorescimento do monaquismo. Estaca-se a vida do irmão Charles de Fulcould, que viveu toda sua vida no ideal do deserto. Após sua morte perpetuaram o seu estilo de vida os irmãos de Jesus.

2.2 Espiritualidade do Deserto: Dinâmica do Provisório:

"O deserto nada tem a ver com uma mística de fuga dos homens… Considerando a história dos crentes, é preciso incutir com energia este aspecto provisório do deserto. Se houve erros e desvios na interpretação do deserto bíblico, eles se acham presentes e tem se deixado perceber sempre que se quis fazer do deserto a situação definitiva e duradoura do crente. O cristão é destinado à comunidade, à Igreja, a sociedade dos homens. Deve caminhar algum tempo pelo deserto, a fim de se preparar para a missão, para o contato com os outros". (Enzo Bianchi)

Não confundir com Retiros: "O deserto é mais do que lugar de retiro, já que por sua extensão e sua aspereza possui valores próprios… Ele traz em si o sinal da pobreza, da austeridade, da simplicidade mais absoluta; o sinal da total impotência do homem, que descobre sua fraqueza porque não pode subsistir no deserto e se vê obrigado a buscar seu refúgio e seu amparo em Deus só… O deserto é tentativa de progresso desnudado, destituído de todo apoio humano, na carência e na falta de todo sustento terreno, inclusive o espiritual, para encontrar Deus… O que é essencial no deserto é o despojamento total, bem como a espera paciente e silenciosa de Deus na inatividade de nossas potências". (Pe. Voillaume).

Orientações para se viver bem o deserto: "Quem deseja fazer um dia de deserto deve fazê-lo com o espírito de imitar Jesus, que, de vez em quando, se retirava para ‘lugares desertos’ a fim de orar. Logo não é tanto o desejo de repouso e solidão longe dos homens e do barulho que estes fazem, que impelia Jesus ao deserto, porém bem mais a sede de estar face-a-face com Deus, seu Pai, em sua função de adorador e salvador. Este desejo de solidão é a única coisa que deve estimular-nos a buscar e a amar a solidão.

O deserto põe o homem diante de si mesmo, inerte e privado de todas as suas forças, potências e hábitos, para confrontar-se com a presença de Deus no máximo despojamento possível. Num dia de deserto não se encontra normalmente a presença da eucaristia e das funções litúrgicas. Por isso será preciso esforçar-nos para buscar a presença de Deus em nós e também na natureza que nos rodeia.

Quando partes para um deserto dizes para ti mesmo que Deus te encher com a sua presença à medida que tua fraqueza respeitar a solidão e perseverar na oração. Se faltarem estas disposições fundamentais de esperança e de disponibilidade aos dons de Jesus, podes ficar bem certo de que muitos outros espíritos mau vagarão em torno de ti na solidão. Basta ler a Sagrada Escritura para convencer-se deste sério perigo. Aliás entre as poucas coisas que deves levar contigo para um dia de deserto não te esqueças da Bíblia, que contém todo exemplo dos homens que se sentiram apaixonados pelo deserto… Lembre-se sempre que o deserto é um lugar de trânsito e que há sempre um retorno mais forte e mais sereno para junto dos homens, de quem não poderás esquecer-te nem mesmo durante o deserto. A última observação é de que um deserto transitório reclama outro: aquele que Jesus restituiu sua alma ao Pai… Oxalá que um dia de deserto reavive em ti o desejo de morrer mártir por ele e com ele e… que isto aconteça a manhã, como escrevia o irmão Charles de Jesus, alguns dias antes de morrer".

Comunidade Shalom"

Friday, July 3, 2009

Deserto

Mais um texto que encontrei sobre Deserto, que Deus te abençoe!!

"Procurou durante muito tempo algo que pudesse servir de consolo, ou apenas identificação com sua experiência de deserto. Ouviu que as motivações erradas do coração, a ausência de celebração e devoção, a indisciplina, a falta de compromisso com Deus, a prática de obras segundo seu coração, a incredulidade, uma mente mundana, os relacionamentos inadequados e as falhas na santificação são características gerais dos crentes que vivem no deserto. A maioria dos sermões que ouviu, dos livros e artigos que leu, dizia resumidamente, que o deserto espiritual é a figura dos crentes carnais citados no Novo Testamento. Acabou mais angustiado. Os religiosos possuem uma certeza assustadora. Como julgam saber toda a verdade, cheios de empáfia, pensam ser capazes de discernir todos aqueles que ainda não a alcançaram e de prescreverem seus dogmáticos medicamentos desumanizadores, para levá-los de volta à sua verdade! Muitos desenvolveram uma espiritualidade que não tem lugar para dor e sofrimento. O ideal a ser perseguido é o do super-crente, do filho do Rei que ora e melhora, que tudo pode naquele que o fortalece. O deserto espiritual é uma contradição que precisa ser eliminada. Nossa sociedade possui raízes no hedonismo que ensina a buscar no prazer o sucesso do ser. A “moral cristã” substituiu o prazer pela alegria santa, pelo êxtase religioso, mas manteve sua maldição sobre a tristeza. Carregamos certa culpa pelo prazer do corpo e muita culpa por qualquer dor ou sofrimento que não tenha uma causa aparente aceitável. Ou seja: o sofrimento causado pela morte de uma pessoa querida é até justificável, mas períodos de sofrimento causado por algo abstrato é sempre rotulado como fruto de pecado, falta de fé ou opressão maligna. No entanto, a popular promessa religiosa de uma vida acima do bem e do mal não é uma verdade prática, além de ser uma perversão do ensino do Evangelho sobre a vida cristã.Esse tipo de argumentação, mesmo sendo a da maioria, não foi a única encontrada. Uma minoria alardeava o extremo oposto. Dizia que o deserto é o melhor lugar para se estar, a escola de Deus, uma obra de Deus para onde ele envia seus eleitos, um terreno a ser buscado de acordo com vários exemplos dentro do ideal monástico. O grande problema desse argumento é que ele simplesmente não funciona. Dizer que algo ruim e doloroso é bom e agradável, não o torna bom e agradável, como se a simples negação ou confissão positiva pudesse milagrosamente fazer alguma diferença. Apenas um desvairado que não está com a navalha na carne poderia sugerir algo desse tipo. A solução, também não estava no cultivo de algum tipo de piedade desencarnada, tampouco, de atitude conformista. Concluiu que as respostas que a religião oferecia apresentavam Deus, Cristo e a Bíblia, todos sem a graça. Eram respostas que não eram respostas ou eram apenas areia no deserto. Aceitá-las só aprofundaria a situação e inviabilizaria qualquer possibilidade de esperança. O consolo e identificação não foram encontrados. Então, desistiu da busca, entrou na caverna. Paradoxalmente, foi exatamente nesse momento, que percebeu que seu desejo desesperado de fugir do deserto acabou o separando de si mesmo. Na busca por receitas e conceitos, havia se divorciado do que era essencial e fundamental em sua própria existência. Então, se aquietou. Era preciso um duro reencontro consigo mesmo. Procurou desnudar seu coração e encarar no espelho todas as suas idiossincrasias. O deserto estava nele. E ele estava no deserto.Deserto pode ser mais do que uma grande extensão de areia com pouca água. Deserto pode ser um estado espiritual. Um estado espiritual de esgotamento, onde não encontramos forças, nem motivações para continuar. Deserto pode ser uma região desabitada. Deserto pode ser um profundo sentimento de solidão. Uma solidão em relação a Deus, aos outros e a nós mesmos. Deserto pode ser quando caminhamos através de um vale escuro de uma vida sem sentido, cheia de dores, questionamentos e inquietações. Um caminhar que a cada passo faz crescer a nossa aversão pela nossa própria indiferença, fraqueza, hostilidade e falta de direção. Um caminhar frustrado por ver que dia após dia, ano após ano, o padrão de perfeição e santidade não foi alcançado, quando compulsões e pecados antigos reinam dentro de nós como reinaram antes, quando o desespero destrói toda a alegria e coragem. Deserto pode ser a sensação de que tudo está velho, desgastado e sem vida. A sensação de que tudo aquilo que nos alegrava, já não nos alegra mais. A música, o sermão, a leitura bíblica, a oração, o evangelismo, as reuniões, tudo se torna vão e enfadonho.As suas feridas ardiam e as suas lágrimas rolavam pela exposição dos ressentimentos com Deus e com os outros; da mediocridade e hipocrisia; das quebras de lei interiores, nas concessões à estrutura; da necessidade de aceitação; da adesão ao ativismo religioso; da desenfreada busca de êxtase, modelos, receitas e conceitos; da constante insatisfação; do medo das comparações, de não conseguir manter as aparências, de não alcançar o alvo e de não ter sucesso. Em completo quebrantamento, na noite escura dos sentidos, no colapso de todas as certezas, na total falência de todo apoio humano, de repente, um murmúrio de uma brisa suave irrompe o silêncio da caverna, sussurrando: “Você é amado. Você é aceito. Você é meu. Não procure nada; não faça nada; não pretenda nada. Aceite simplesmente o fato de que você é amado; você é aceito; você é meu!”. A imensa doçura e profundidade dessas palavras remeteram seus olhos imediatamente para o “homem de dores e que sabe o que é padecer”, para aquele que disse que “a minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal”. Por uma fé doada uniu-se ao sofrimento de Cristo. Por um momento, não estava mais na caverna, estava no Calvário. A dor; o sangue; as feridas; a coroa de espinhos; a zombaria. Ali contemplou Jesus, abandonado pelos seus amigos; abandonado pela natureza, onde até o sol se escondia; abandonado pelo Pai. “Meu Deus! Meu Deus! Porque me abandonaste?” A paixão de Cristo, na experiência de ser abandonado por Deus recebe um significado novo, central e profundo.Enfim, o consolo e identificação são encontrados no Deus que passou pelo horror humano do pessimismo na sexta-feira da Paixão. A redescoberta de Deus veio acompanhada pela arrebatadora esperança da ressurreição no domingo de Páscoa. Um poderoso sopro de graça e esperança. E nada foi demandado dessa experiência, nada senão aceitação.

Por Robson Wellington"

Saturday, June 20, 2009

"A Experiência de Deus no Deserto"

Boa noite, quero deixar uns textos muito bons que encontrei sobre deserto espiritual e que foram benção para mim, começarei com este "A Experiência de Deus no Deserto":

"Muita coisa tem sido dita sobre deserto espiritual no nosso meio, mesmo assim fica a dúvida sobre o lugar dessa experiência na vida cristã. O deserto é uma exceção na vida com Deus ou algo que todos teremos de passar? Antes de responder esta pergunta, vamos olhar o deserto na Bíblia: não foram poucos os personagens bíblicos que passaram pela experiência de Deus no deserto, muitos homens e mulheres viveram a terrível sensação de ausência ou do silêncio de Deus: Elias viveu a amargura do medo e da frustração no deserto; Moisés passou 40 anos acreditando que nada mais iria acontecer na sua trajetória como libertador; Jó viveu na carne a experiência de se sentir abandonado por Deus; e Jesus, do alto da cruz, deu um brado: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Além desses relatos, na nossa própria caminhada cristã, passamos, muitas vezes, por essa sensação de abandono, perdemos o sabor da vida, o que nos alegrava passa a não alegrar mais, a música, o sermão, a leitura da palavra e a oração, tudo parece sem sentido e estafante. Esses sintomas podem surgir em vários momentos da nossa vida, talvez por causa do cansaço físico e mental, uma doença, o fim de um relacionamento amoroso, estresse e tantos outros motivos. Mas o deserto espiritual tem algumas particularidades.Na solidão do deserto o nosso coração de pedra se transforma em carne, o coração fechado se abre a todos os sofredores num gesto de amor e solidariedade . Mas, olhando de longe os inúmeros acontecimentos que atingem uma pessoa no deserto, sentimo-nos compelidos a fugir dele. Vivemos com se nenhum mal fosse nos atingir, e incorporamos palavras de ordem, que dizem: “somos filhos do Rei”, “ora que melhora”, e falamos com a força dos nossos pulmões: “tudo posso naquele que me fortalece”. Nada disso é mentira, no entanto, quando nos vemos em apuros, essas frases passam a não fazer mais sentido e algumas coisas acontecem: ou nos sentimos abandonados por Deus ou pensamos que os nossos pecados nos afastaram dele. Lembremos de Jó: não foi o seu pecado o responsável pelo seu sofrimento. Mas parece que a experiência do patriarca nos traz ainda mais angústias: não nos sentimos à altura dele e por isso achamos que todo o nosso sofrimento é resultado dos nossos pecados. Perguntamo-nos: onde eu errei? O que eu fiz para merecer tamanho castigo? Sentimo-nos abandonados. Achamos que nos perdemos de Deus e que já não somos mais objeto do seu amor. Queremos viver somente alegrias, mas não podemos evitar, quando menos esperamos experimentamos uma aridez espiritual e concluímos que o que está nos acontecendo é o que muitos chamam de deserto. Os pais do deserto, pelo menos, fizeram esta escolha livremente, mas a nós parece que essa opção não é dada. Para os contemplativos, no entanto, a experiência do deserto deve ser recebida com agrado, do mesmo modo que uma pessoa enferma receberia com bons olhos a noticia de uma cirurgia que promete saúde e bem-estar . Isso não que dizer que o cristão deva ser alguém que sai pelo mundo em busca do desprazer e de desgraças, não é sobre isso que estamos falamos. O que queremos dizer é que na caminhada com Deus vamos experimentar sensações de abandono, dores e fracassos, e isso não tem nada a ver com os nossos pecados. Não foi assim com Ana, Jó, Paulo e tantos outros? Mas, como conciliar o deserto com um conceito de espiritualidade que não tem lugar para dor e o sofrimento? Como conciliar a imagem de uma vida próspera e abençoada com a experiência do silêncio de Deus?Na vida contemplativa, o deserto sempre teve o seu lugar. Nos primeiros séculos da Era Cristã, muitos homens e mulheres foram literalmente para o deserto em busca de um encontro com Deus através da solidão, do silêncio e da oração. Antão, Agatão, Macário, Poemem, Teodora, Sara e Sinclética foram líderes espirituais no deserto . “Sem esse deserto, perdemos nossa alma enquanto pregamos o evangelho”. Todos os contemplativos viveram a realidade do Deus Absconditus*, mas foi João da Cruz, monge carmelita do século XVI, quem desenvolveu uma tradição contemplativa sobre a noite escura da alma, ou noite dos sentidos. Quando vires teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis. Na noite dos sentidos, somos convidados a sermos todos de Deus. Nesta vida, o homem não se une a Deus por meio daquilo que entende, goza ou imagina, nem por alguma coisa que os sentidos ofereçam; mas unicamente pela fé.... Somos chamados a experimentar o silêncio de amor, a nos calarmos diante do inefável, e a pormos a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa alguma particular a seu respeito. Na noite escura dos sentidos, somos convidados à comunhão da dor de Cristo. De acordo com o teólogo alemão Jürgen Moltmann, no centro da fé cristã está a história da Paixão de Cristo. No centro dessa paixão está a experiência de Cristo abandonado por Deus. Pare ele, ou isso representa a ruína da fé humana no criador, ou o surgimento de uma Fé em Deus que não é possível de ser destruída por nada. Não mais uma fé que dependa de resultados, de sentir calafrios, que dependa da emoção, não mais uma fé que precisa de formulações inquestionáveis, mas uma fé descansada, porque o amor não cansa e nem se cansa. Uma fé que se abandona nas mãos de Deus e se deixa levar por ele. A experiência de Deus no deserto é a experiência do despojamento que nos leva a amar a Deus sobre todas as coisas, mesmo diante da dor e do sofrimento. Por que Deus permite o sofrimento não sabemos, mas, para Multmann, mesmo que soubéssemos isso não nos ajudaria a viver. Se descobrirmos, no entanto, onde está Deus e experimentarmos sua presença no nosso sofrer, encontrar-nos-emos na fonte de onde brota a vida novamente. O sofrimento e a dor não devem ser entendidos, neste sentido, como resultado do nosso afastamento de Deus, muito pelo contrário, podemos nos sentir amados mesmo diante da dor e da aflição. Mas é muito difícil perceber o amor de Deus diante do sofrimento e da aridez espiritual, porque estamos comprometidos com uma falsa ilusão do que seja esse amor por nós. Coisificamos o nosso amor por Deus, só nos sentimos amados quando a nossa vontade é satisfeita. Se as nossas orações não são respondidas, pensamos que Deus não nos ama. Se não nos emocionamos no culto é porque falta unção, dependemos dos resultados para experimentamos Deus. No deserto, somos privados de tudo, dos resultados e da emoção, só restam dúvidas, é aí, que o conceito de Hebreus, começa a fazer sentido, a Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hebreus 11:1). Na noite escura, ficamos livres da nossa excessiva dependência de resultados interiores e exteriores, lá nada acontece, só Deus basta. Na noite escura, aprendemos a amar a Deus por ele mesmo, não por aquilo que ele pode fazer ou deixar de fazer por nós. Lá, nada faz sentido, e é no sem sentido que encontramos a verdadeira paz. Profunda é a luta na noite contemplativa, mas é igualmente muito profunda a paz que se espera. E, se a dor espiritual é intima e penetrante, o amor que se há de alcançar é também íntimo e puro. Nesta noite escura, aprendemos a nos despojar de uma falsa imagem de Deus, o Deus que era o nosso provedor, passa ser também o consolador, o Deus que servia apenas de alívio para as nossas neuroses do cotidiano, passa ser o nosso companheiro de amor. Na noite escura, tudo muda. Aqui temos um verdadeiro encontro de amor, onde nada mais é importante. Se formos abandonados, amamos assim mesmo, se nossas orações não são respondidas, não deixamos de amar por causa disso. Nesta noite dos sentidos, mesmo sem sentir, somos transformados. O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber. Aprendemos a amar a Deus como ele deseja ser amado. É amar sem querer possuir o objeto do nosso amor, é amar sem reduzir a Deus a uma idéia ou a uma lâmpada de Aladim. É amar uma pessoa, que misteriosamente é três.Sobre a pergunta: o Deserto é uma exceção na vida com Deus ou algo que todos teremos de passar? Podemos respondê-la da seguinte maneira: talvez, nem todos os cristãos passem pelo deserto, mas todos aqueles que passarem irão experimentar a purificação dos sentidos. Para a pessoa crescer na contemplação até chegar á união com Deus, deverão ficar de lado, em silêncio, todos os meios e exercícios sensíveis das faculdades humanas. Só assim poderá o Senhor infundir nelas o sobrenatural, pois a capacidade natural não consegue chegar tão alto. Aqui entendemos que só podemos encontrar Deus no silêncio, na solidão e na oração. O nosso objeto de desejo é livre para ir e vir, quando desejar. Não ficamos tão dependentes de sentir a sua presença. Já sabemos onde ele está. "

Autora: Mestranda em Teologia - Seminário Batista do Sul do Brasil; Jornalista; graduanda em Teologia - PUC-Rio
Silvana Venancio Cabral

Que Deus te abençoe!!

Monday, June 8, 2009

Canção do deserto

Esse é o meu clamor no deserto quando tudo em mim está seco, esse é o meu louvor na minha fome e necessidade, o meu Deus é o Deus que provê. Esse é o meu clamor no fogo, na fraqueza, no julgamento ou na dor. Há uma fé que prova algo mais valioso que o ouro, e que irá me provar através das chamas. Eu te darei louvor, eu te darei louvor, nenhuma arma forjada contra mim irá permanecer, eu vou me regozijar e vou declarar que Deus é a minha vitória e ele está aqui! Esse é o meu clamor na batalha quando o triunfo ainda estiver a caminho, eu sou um conquistador e co-herdeiro com Cristo, então, firme na sua promessa eu permanecerei. Durante toda a minha vida, em todas as épocas Tu foste Deus, eu tenho uma razão pra cantar, eu tenho uma razão pra louvar. Esse é o meu clamor na colheita, quando a providência é favorável, eu sei que eu fui cheio para me esvaziar novamente, a semente que eu recebi, irei disseminar! - "Desert Song - Hillsong"

Saturday, May 9, 2009

Muralhas

O apóstolo João tem uma visão da Nova Jerusalém, do clímax de perfeição da igreja, a noiva restaurada e plena do Cordeiro. A visão que João tem (descrita em Ap 21 e 22) refere-se à igreja, na sua perfeita realização na eternidade, mas a começar já aqui. Há algumas reflexões que eu gostaria de fazer sobre esse texto.


Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro;
e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus,a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina.
Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste.
A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Aquele que falava comigo tinha por medida uma vara de ouro para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com a vara até doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais.
Mediu também a sua muralha, cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, isto é, de anjo.
A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido.
Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda;
o quinto, de sardônio; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista.
As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente.
Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.
A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória.
As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite.
E lhe trarão a glória e a honra das nações.
Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.

Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.
No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.
Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.
Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. (Apocalipse 21:9-22:5)


As principais ideias que quero ressaltar estão a negrito no texto.

Primeiramente, a noiva tem muralhas grandes e altas. As muralhas garantem a protecção da cidade, e neste caso estão fundamentadas sobre os doze apóstolos, ou seja, sobre os seus ensinos, sobre os seus testemunhos, sobre o que viram e ouviram de Jesus. É dessa base que são construídas as muralhas.

Na nossa vida também temos muralhas, temos construído muralhas, que nos protegem, que delimitam quem nós somos...o problema é que por vezes essas muralhas são vulneráveis, são facilmente atacadas e derrubadas, têm brechas. Isto porquê? Por causa dos fundamentos das muralhas. "Ahh, mas eu tenho construído a minha vida sobre a Rocha, sobre Jesus"...está certo, mas há certos fundamentos que vão muito além disso. Passo a explicar.
Nós, seres humanos, construímos crenças, sobre as quais erguemos toda a nossa vida, as nossas acções, a nossa maneira de pensar, de interagir, e até de nos relacionarmos com Deus.

"Crenças são os filtros pré-arranjados e organizados para nossas percepções do
mundo. São como bases de comandos do cérebro. Quando acreditamos com convicção
que alguma coisa é verdadeira, é como se mandássemos um comando para o cérebro,
de como representar o que está ocorrendo." (Anthony Robbins)


"Crenças negativas não se baseiam na experiência e sim naquilo
que “adotamos como nossas verdades”. Elas funcionam como permissão ou obstáculo.
Sejam quais forem as circunstâncias, o sucesso ou o fracasso das pessoas se mede por
suas convicções e crenças. O que obtemos na vida depende exclusivamente de nossas
“estratégias mentais”. Existem estratégias mentais positivas que nos trazem felicidade,
sucesso e abundância e as estratégias mentais negativas que nos causam infelicidade,
escassez, doenças e morte."

Essas crenças são resultantes de diversos factores, um deles é a nossa educação, o nosso ambiente em casa, o que nos ensinam a SER desde que nascemos, as experiências (boas e más) que vivemos ao longo da vida também vão moldando as nossas crenças. O que acontece? Acontece que as nossas crenças podem ser boas ou más, ou seja, adequadas ou desadequadas. O problema é quando construímos as nossas vidas, os nossos princípios (não só morais, mas afectivos, e espirituais até) sobre crenças erradas. Por exemplo: numa família onde a expressão de amor não é feita de modo saudável produzirá na pessoa uma crença distorcida do verdadeiro conceito de "amor", a partir daí, em todas as situações da vida que o sujeito vai viver ele interpretará/expressará/viverá o "amor" da maneira que aprendeu, e ele construirá a sua muralha sobre uma crença distorcida. Estas crenças são muitas vezes inconscientes e têm infuência no nosso pensar e no nosso agir. Daí vêm as depressões, a impulsividade, a instabilidade emocional, a ansiedade, ... enfim...muitas sintomas (comportamentos/pensamentos) vêm de algum lado e que nós nem parámos para pensar...

Agora imaginem isto alargado a muitas outras crenças. Eu tenho percebido estes últimos dias que algumas crenças que tenho são distorcidas, sobre as quais construí o que sou. Como resolver isto? Vai ser necessário desmontar essas crenças distorcidas e montar novas crenças. As novas crenças essas virão do sítio certo, de Deus, da Palavra, do ensino que o Espírito de Deus nos deixa. Claro que o processo não é tão simples assim, o desmontar de crenças que tivemos a vida toda implica em mexer fundo em muita coisa. Mas o desejo de DEUS é erguer umas muralhas lindas, adornadas, baseadas sobre fundamentos preciosos!

João na visão vê que do trono de Deus flui água da vida, que produz vida, alimenta, traz vida ao que está seco, torna a árvore seca numa árvore frondosa, além do trono de onde flui água da vida, João vê a Árvore da Vida, que produz fruto todos os meses, e cujas folhas trazem cura.

É aí que eu vejo a acção de Deus sobre nós e sobre as nossas crenças por exemplo. A cruz de Cristo é a nossa árvore da vida, que além de produzir a salvação, produz cura nas áreas doentes da nossa vida. A cura de Deus é que vai mexer com essas crenças, é que vai trazer vida, desmontar crenças distorcidas e erguer as nossas muralhas sobre fundamentos adequados. A salvação em Cristo primeiramente é para o nosso espírito, garante-nos a vida eterna, mas vai além, a Cruz de Cristo estende-se a toda a nossa vida, a Sua cura quer alcançar a nossa vida num todo, o nosso espiritual, emocional e físico. A Cruz de Cristo, o que ela simboliza, é a nossa árvore da vida!

Aqui está algo que tenho aprendido com muito custo nestes últimos tempos. Quando pedimos a Deus para mexer com a nossa estrutura Ele mexe mesmo. Sei que Deus me estará a curar de muita coisa. Ele pode fazer o mesmo em ti! É uma viagem, Ele faz a ferida e liga, é um processo doloroso, mas com frutos lindos certamente!


"Deus, traz cura, quero ter essas folhas, me achego à Tua cruz que me traz cura, que me restaura, que me levanta, que cura o meu interior. Que o poder da Tua cruz me alcance, que a plenitude da Tua ressurreição me atinja. Que eu não viva só uma parte da Tua salvação, mas toda ela possa encher e controlar o meu viver.
No nome de Jesus,

Amén!"